O Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (LPAE/USP) realizou um estudo que comprova que a planta Tradescantia pallida, a popular coração-roxo, ajuda no controle da qualidade do ar - é o biomonitoramento. A idéia do biomonitoramento foi do professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, parceira no estudo. Em 1998, o professor descobriu as propriedades do coração roxo na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, por meio de um pesquisador chinês. "Essa planta é fácil de cultivar em qualquer lugar e tem alta resistência. O seu DNA (ácido desoxirribonucleico) registra os poluentes e suas mudanças", conta Saldiva.
O biomonitoramento usando a Tradescantia pallida é ativo, uma vez que a planta já existia nos ambientes avaliados. Em termos práticos, ele se traduz na utilização do que Josanidia Lima chama de "teste Trad-MCN", que se baseia na contagem de micronúcleos em células mães de grãos de pólen na Tradescantia. "O uso deste teste permite determinar a capacidade de substâncias causarem danos ao material genético, levando à formação de micronúcleos ao fim da divisão celular. Uma freqüência elevada de micronúcleos nas análises é o indicador de que as substâncias afetam a planta", explica a bióloga. 
A estrutura do DNA e seus mecanismos de replicação e reparo são universais para todos os seres vivos, ou seja, o que causa danos ao material genético dos vegetais pode vir a causar danos aos cromossomos de seres humanos.

